Pregando às "Necessidades Percebidas" X Exposição Consecutiva: O que é melhor para o povo de Deus?

Atualizado: 17 de Jul de 2019

por Kevin Halloran |


Recentemente eu conversei com um pastor que descreveu a rotina de pregação de sua igreja da seguinte forma:


“Toda semana nós pensamos a respeito das necessidades de nossa congregação e pregamos uma mensagem que vá de encontro a essas necessidades”.


Essa abordagem, que muitos chamam de pregação de “necessidades percebidas”, apropriadamente busca ajudar sua congregação crescer espiritualmente e suplantar questões que eles estão enfrentando. No caso específico desse pastor, ele vem do amor pelo seu rebanho e um profundo conhecimento de suas vidas – algo que todo pastor deveria se esforçar para ter.


Ocasiões existem quando a pregação focada nas necessidades pode ser necessária, pelo menos em uma escala menor. Por exemplo, quando a congregação passou por uma grande tragédia, ou se existe uma dificuldade maior no meio da igreja, o pastor pode desejar pregar a respeito dessa situação.


Mas será a pregação para atender as necessidades percebidas a melhor prática para os pregadores que miram uma grande jornada? Eu acredito que não, especialmente quando esse tipo de pregação é contrastado com a pregação expositiva consecutiva através de livros inteiros da Bíblia. Eis, aqui, quatro razões:


1. Deus conhece melhor as nossas necessidades do que nós mesmos.


O Deus que nos criou nos conhece melhor do que nós conhecemos a nós mesmos. Os seus caminhos não são os nossos caminhos, e os seus pensamentos não são os nossos pensamentos (Isaias 55:8-9). Sua Palavra, somente, vai de encontro com todas as nossas necessidades espirituais e expõe todas as intenções do nosso coração (2 Timoteo 3:16-7; Hebreus 4:12). Nossas tentativas de fielmente diagnosticar necessidades não podem se comparar com o diagnostico de Deus: Nós precisamos que a Palavra de Deus brilhe sua luz em nossos “pontos cegos” e exponha nossas verdadeiras necessidades.


Assim como a medicina preventiva é melhor do que tratar um problema de saúde depois que ele aparece, pregar através de livros inteiros da Bíblia vai de encontro com uma variedade de necessidades que a congregação e o pregador talvez nem saibam que eles têm. De outra forma, nós dependemos do nosso conhecimento limitado para diagnosticar necessidades e prescrever soluções.


2. Nossas necessidades percebidas, muitas vezes, não são nossas necessidades reais ou nossas necessidades mais profundas.


Um grande perigo em ter necessidades percebidas como seu ponto de partida na pregação é a centralização da pregação no homem. Nossas necessidades percebidas podem ser de fato “problemas de primeiro mundo” que expõe nossa superficialidade e nossa miopia. Muitas vezes aquilo que nós consideramos “necessidades” – como sentido e significado, prosperidade e até mesmo saúde – são extirpadas através de uma visão mais bíblica a respeito de Deus e de como Ele age nesse mundo.


Pecadores tem uma necessidade real de um Salvador que transforma corações e vidas à medida que as pessoas se arrependem e creem no evangelho. Quantos pecadores diriam que essa é uma necessidade da qual eles tem plena consciência? Uma tentação de pregações de necessidades percebidas é de dar às pessoas “Band-Aids” de auto ajuda quando o que eles de fato precisam é um transplante de coração que só Cristo lhes pode dar.


3. Nós perdemos os detalhes mais profundos de passagens e livros da Bíblia.


Deus nos deu a Bíblia no formato de livro, não uma coleção aleatória de versículos e histórias. Se pregadores pregam somente mensagens tópicas ou exposições isoladas, eles perdem os detalhes mais profundos de passagens e de livros da Bíblia. Pregar a grande mensagem de um livro nos ajuda a ensinar o nosso povo a ler a Bíblia melhor e trata-la menos como um livro de citações espirituais ou como um manual de auto ajuda.


Por exemplo, não pregar através das grandes ideias de Gen