“Pastor, tenho um chamado, e agora?” Considerações antes de enviar um jovem ao seminário

Atualizado: 17 de Jul de 2019

por Jeremiah Davidson |


Pastores frequentemente erram no tratar com os jovens pretendentes ao pastorado, especialmente quando o interesse parte do próprio jovem. Por um lado, o surgimento de novos pastores no meio da igreja não deve nos surpreender. Multiplicar pastores é parte do ministério pastoral: “O que ouviste de mim, diante de muitas testemunhas, transmite a homens fiéis e aptos para também ensinarem a outros.” (2 Timóteo 2.2 A21)


Bons pastores reproduzem bons pastores. É o plano de Deus para a preservação da Sã Doutrina para as gerações futuras e a responsabilidade bíblica pelo cultivo do chamado pastoral de jovens é dos seus pastores. Mas, o que fazer quando o desejo pelo pastorado desperta em um jovem?


Infelizmente, enviar o vocacionado logo ao seminário se torna em alguns casos uma saída fácil para o pastor. Entretanto, fazer um questionamento profundo e construtivo do chamado do jovem antes de encaminhá-lo, pode evitar possíveis problemas no futuro.

Como, então, avaliar o chamado do jovem antes de enviá-lo para uma formação teológica formal? Uma avaliação bíblica não deve faltar três elementos essenciais: Caráter, Habilidades e Desejo. Vamos ver cada um deles com detalhes.


Caráter


Todos nós, cristãos, somos obras em processo, crescendo em santidade segundo a imagem do nosso Senhor Jesus Cristo (Rm 8.28-29). O ministério pastoral exige que esse processo esteja numa etapa de maturidade cristã. Maturidade não é necessariamente equivalente à idade física, nem (infelizmente) ao tempo de conversão que uma pessoa tem (embora, uma pessoa recém convertida nunca deve ser cogitada para o ministério pastoral - 1 Tm 3.6). É evidenciado por atitudes de obediência à Palavra de Deus e uma vida movida pelo Espirito Santo.

Graças a Deus, as qualificações bíblicas alistadas em 1 Timóteo 3 e Tito 1 nos elevam do campo da subjetividade para dar evidências práticas e visíveis de maturidade crista na vida de um homem. Todavia, uma pergunta frequente é: quão rigoroso devo ser na aplicação das qualificações bíblicas em um jovem que estará iniciando um processo de formação?

Podemos ser compreensíveis com jovens que ainda estão aprendendo, mas não devemos enviar um jovem, cuja vida mostra claras evidências de desqualificação. Ele é namoradeiro? Ele é uma pessoa briguenta? Ele é desrespeitado por quem o conhece? São sinais de alerta de que não é o momento de encaminhar para uma formação pastoral. A vida do jovem deve mostrar uma trajetória de progresso em todas as áreas de qualificação bíblica para o presbitério.


Habilidades


É interessante que a Bíblica destaca algumas habilidades práticas. Entre elas, ser apto para ensinar e ser bom gerenciador de coisas e pessoas debaixo dos seus cuidados. Habilidades podem ser aprendidas, e o jovem vocacionado deve demonstrar uma certa aptidão já adquirida. No jovem casado, o seu lar vai ser um foco de especial atenção. Como estão as finanças do lar? Como é a sua organização? Como a esposa e filhos (se tiver) se submetem à liderança dele? Quanto ao ensino, o jovem deve ter tido oportunidades de exercer ensino na igreja, e os membros da igreja experimentarem a sua habilidade em transmitir a Sã Doutrina com clareza e fidelidade. Qual pastor não treme ao relembrar as suas primeiras mensagens e aulas? Então, lembre-se de que haverá muito crescimento nesta área durante a formação teológica e com tempo no ministério.


Desejo


Coloco este item por último, porque, frequentemente, o senso de chamado do próprio jovem se torna o único fator considerado ao enviá-lo para o seminário. Afinal, quem somos nós para questionar a Deus? A verdade é que, se o caráter e as habilidades não estão presentes na vida do jovem de forma adequada, o desejo é mais ou menos irrelevante (pelo menos enquanto essas deficiências persistem).

Todavia, o desejo é essencial (1 Tm 3.1). Um fator importante para o pastor considerar é o quanto ou não o desejo é maduro. A melhor evidência é a prova do tempo e da prática. Tem sido o costume do Pastor Antônio Mendes, da Primeira Igreja Batista de Atibaia, aconselhar todos os jovens a fazerem primeiro uma faculdade antes de ir para o seminário. Isso garante mais tempo para a pessoa amadurecer e o seu desejo para o pastorado também.

Já aconteceu de um aluno da Escola de Pastores PIBA desistir do curso no primeiro ano. Nosso curso é extremamente prático e alguns, tendo contato com o dia-a-dia do pastor, percebem que não era bem isso que queriam para as suas vidas. Vemos isso até com bons olhos, pois o desejo precisa ser provado na prática. Precisa experimentar a realidade de ser pastor, se o desejo permanecer é um chamado sólido que irá aguentar as lidas do pastorado. Um caso trágico que ouvi recentemente foi de um homem que investiu seis anos de estudo teológico, e ao ingressar no pastoreio, descobriu depois de alguns meses que não o desejava mais. Se os pastores deste homem tivessem o colocado na prática e exposto ele à realidade, talvez isso poderia ser evitado!


Conclusão


Pastores, louvem a Deus pelos homens que Ele está levantando no meio da igreja para pastoreá-la. Aproveite bem a oportunidade de um jovem interessado no ministério pastoral. Mesmo que a resposta não seja de imediatamente encaminhar a um bom seminário, é uma porta aberta para um discipulado mais profundo na vida do jovem, que há de resultar em seu crescimento e santificação para a glória de Deus. Avalie bem sua vida e coloque ele, na medida apropriada, para ministrar no ensino, no evangelismo, no serviço e na liderança, debaixo da sua supervisão. Talvez, pode ser um futuro pastor. De qualquer maneira, só temos a ganhar ao trabalhar seriamente, com aqueles que manifestam o desejo de servir.


Jeremiah Davidson



Jeremiah e Ana Karlina casaram-se em 2006.

Ele é formado em Administração de Empresas pela Universidade Rutgers-EUA, e após dois anos de estudos no SBPV Brasil, concluiu seu curso de Mestrado em Artes no Novo e no Antigo Testamento no Biblical Theological Seminary, Pennsylvania-EUA.

Atualmente é Diretor Executivo da EPPIBA.




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