EXPOSIÇÃO BÍBLICA: OPÇÃO PRIORITÁRIA


Festschrift*, Por Karl Lachler |


Pregue a palavra,esteja preparado a tempo e fora de tempo, repreenda, corrija, exorte com toda paciência e doutrina. 2Timóteo 4:1



A exposição seriada de livros da Bíblia, há de produzir frutos espirituais, não pela capacidade da oratória do pregador, mas sim pelo poder inerente na Palavra de Deus. O brilho do personalismo do pregador, mesmo que atraente, ainda é tingido com pecado e não pode efetivar transformação espiritual no ouvinte. Por isso Deus insuflou a Palavra com poder divino. É a mensagem e não o mensageiro que tem o poder para transformar [1].


O problema maior entre os pregadores modernos está em não acreditar que a Palavra de Deus tem autoridade e poder inerente para transformar vidas. Muitos pastores evangélicos acreditam teologicamente que a Bíblia é a Palavra de Deus com poder. Contudo, infelizmente não vivem autenticamente esta convicção no gabinete de estudos e na vida ministerial. É uma coisa afirmar uma verdade, e outra, vivê-la. Então, é a Palavra de Deus anunciada que traz convicção, conversão e santifica os ouvintes. O poder está na Palavra e não na oratória do mensageiro [2].


A exposição seriada de livros da Bíblia (lectio continua) tem grandes vantagens. Chapell alista diversas, como: o pregador é levado a tratar assuntos mais variados; problemas sensíveis podem ser tratados na medida que aparecem no texto; exposição seriada poupa muito tempo de contemplação e cogitação, pois o próximo parágrafo já indica qual será o sermão do Domingo que vem; o expositor não precisa fazer pesquisas sobre o "contexto" do livro bíblico a cada semana; a congregação apreende quais são os temas fundamentais da Bíblia e percebe melhor a unicidade da Bíblia [3] – Confira uma lista similar no capítulo cinco no meu livro "Prega a Palavra".


Quando o pregador tem uma viva convicção de que a Bíblia é a Palavra viva de Deus, ele não cai na tentação de confiar nos truques, métodos ou táticas psicológicas para produzir resultados. Há nele uma confiança no Espírito que não o permite comprometer a essência milagrosa inerente na Bíblia. Não sei quando esta confiança na essência milagrosa da Palavra de Deus torna-se uma "filosofia consciente," digo, uma convicção concretizada na vida do pregador. Sei que, quando há aquele "insight," isto é, um momento crucial quando o pregador define-se, pela infusão do Espírito Santo a ser um arauto da Palavra de Deus, aí as coisas mudam. Não há mais aquela vergonha social quanto a exclusividade da Bíblia – O estilo de pregações biblicamente comprometidas, demonstram este tipo de vergonha. O que há é uma áurea de convicção e autoridade em torno deste ministro assim definido [4]. O pastor não é visto como um orador de classe, mas sim, como um homem da Palavra de Deus. O que há é uma distinção clara de que o pastor é uma porta-voz de Deus.


A exposição seriada de livros da Bíblia sem dúvida mexe com a própria vida espiritual do pastor [5]. Como estudar intensamente a verdade eterna e não ser desafiado moral, espiritual e psicologicamente? O Espírito e a Palavra combinam para responsabilizar e capacitar o pregador a viver uma vida autêntica. Esta convivência com a verdade liberta o pastor da obrigação de viver de trás de máscaras profissionais.


Um pastor, amigo meu, conta como ele foi levado à autenticidade quanto a um problema de estética. Ao assumir uma igreja em que não era conhecido, ele escondeu sua calvície com uma peça de cabelos postiços. A congregação não sabia do problema de sua calvície. Pregando expositivamente pela Bíblia, por alguns meses, os textos salientavam como é bom ser autêntico. Aí, o Espírito e a Palavra começaram a perturbar sua consciência. Um belo domingo ele apareceu no púlpito sem a peruca e a congregação, surpreendida, quase não o reconheceu. Lá na frente, ele confessou que queria ser autêntico nesta área de estética. E, por esta decisão,sentia-se livre de hipocrisia e em paz espiritual.


A dinâmica de estar expondo e vivendo pelas diretrizes da Palavra de Deus dá ao arauto o que Aristóteles propagou como elementos importantes da retórica. LOGOS, disse ele, é o conteúdo substancial da mensagem. Haveria algo mais fundamental, nutritiva que as Sagradas Escrituras? PATHOS, conforme Aristóteles, é o lado emotivo da mensagem inculcado pela paixão e fervor do mensageiro. Como esconder o fato que as vezes as Escrituras tocam nas emoções mais profundas do mensageiro? ETHOS, pensa Aristóteles, é o que os ouvintes percebam como autenticidade ou caráter no mensageiro. É aquele sentimento no ouvinte que o mensageiro está sendo sincero [6]. Nos dias de hoje há um clamor do povo de Deus: “Dê-nos o pão do céu e seja o irmão, pastor, um servo autênticoque nos alimentacom este pão." Amem e amem!


“porque o nosso evangelho não chegou a vocês somente em palavra (Logos), mas também em poder, e no Espírito Santo e em plena convicção (Pathos). Vocês sabem como procedemos(Ethos) entre vocês,em seu favor.” (1Tessalonicenses 1:5)


Estou feliz porque está surgindo no Brasil publicações sobre a Exposição da Bíblia. Isto é um sinal de saúde espiritual no meio evangélico. Professor José de Godoi Filho escreve:


Pregação é tanto inspiração quanto ciência, ou tanto unção quanto arte. Deus, no seu poder e misericórdia, pode dispensar a ciência e a arte da pregação, ou seja, a hom