A declaração de Chicago sobre a Aplicação Bíblica.


Esta declaração é a terceira e última de uma trilogia de Encontros promovidos pelo Conselho Internacional sobre a Inerrância Bíblica.

O Encontro de Cúpula I (26 a 28 de outubro de 1978) produziu a Declaração de Chicago sobre a Inerrância Bíblica. Clique aqui.

O Encontro de Cúpula II (10 a 13 de novembro de 1982) resultou na Declaração de Chicago sobre Hermenêutica Bíblica. Clique aqui.

Esta última conferência, Encontro de Cúpula III (10-13 de dezembro de 1986), redigiu a Declaração de Chicago sobre Aplicação Bíblica. Com esta afirmação, o trabalho acadêmico proposto do ICBI foi concluído, pois a doutrina da inerrância foi assim definida, interpretada e aplicada por muitos dos principais estudiosos evangélicos de nossa época.


ARTIGOS DE AFIRMAÇÃO E NEGAÇÃO


Artigo I: O DEUS VIVO

Afirmamos que o único Deus verdadeiro e vivo é o criador e sustentador de todas as coisas.

Afirmamos que este Deus pode ser conhecido através de Sua revelação de Si mesmo em Sua palavra escrita inerrante.

Afirmamos que este Deus existe eternamente em três pessoas, Pai, Filho e Espírito Santo, cuja cada uma delas é totalmente Deus.

Afirmamos que este Deus vivo, ativo e que fala entrou na história através do Filho Jesus Cristo para trazer salvação à raça humana.

Afirmamos que o caráter e a vontade revelada de Deus são a base de toda a moralidade.

Negamos que a linguagem humana das Escrituras é inadequada para nos informar quem é Deus ou como Ele é.

Negamos que a doutrina da Trindade seja uma contradição ou se baseia em uma ontologia inaceitável.

Negamos que a noção de Deus deve ser acomodada ao pensamento moderno, o qual não tem lugar para os conceitos de pecado e salvação.


Artigo II: O SALVADOR E SEU TRABALHO

Afirmamos que Jesus Cristo é verdadeiro Deus, gerado pelo Pai de toda a eternidade, e também verdadeiro homem, concebido pelo Espírito Santo e nascido da virgem Maria.

Afirmamos que a união indivisível da deidade plena com a humanidade plena na única pessoa de Jesus Cristo é essencial para o Seu trabalho salvador.

Afirmamos que Jesus Cristo, através de Seu sofrimento vicário, morte e ressurreição, é o único Salvador e Redentor do mundo.

Afirmamos que a salvação é apenas pela fé em Jesus Cristo.

Afirmamos que Jesus Cristo, como revelado nas Escrituras, é o modelo supremo da vida santa, que é nossa nele e através dele.

Negamos que as Escrituras justificam qualquer proclamação ou oferta de salvação, exceto com base no trabalho salvífico do Cristo crucificado e ressuscitado.

Negamos que aqueles que morrem sem Cristo possam ser salvos na vida que está por vir.

Negamos que pessoas capazes de escolha racional possam ser salvas sem fé pessoal no Cristo bíblico.

Negamos que apresentar Jesus Cristo como exemplo moral sem referência à Sua deidade e expiação vicária faz justiça ao ensino das Escrituras.

Negamos que uma compreensão adequada do amor e da justiça de Deus garante a esperança da salvação universal.


Artigo III: O ESPÍRITO SANTO E SUA OBRA

Afirmamos que o Espírito Santo é a terceira pessoa do Deus Trino e que Sua obra é essencial para a salvação dos pecadores.

Afirmamos que o conhecimento verdadeiro e salvador de Deus é dado pelo Espírito de Deus, na medida em que Ele autentica e ilumina a Palavra das Escrituras Canônicas, da qual Ele é o autor primário.

Afirmamos que o Espírito Santo guia o povo de Deus, dando-lhes sabedoria para aplicar as Escrituras às questões modernas e à vida cotidiana.

Afirmamos que a vitalidade da Igreja em adoração e comunhão, sua fidelidade na confissão, sua frutificação em testemunho e seu poder em missão, dependem diretamente do poder do Espírito Santo.

Negamos que qualquer visão que se oponha à tri pessoalidade essencial de Deus é compatível com o evangelho.

Negamos que qualquer pessoa possa dizer com o coração que Jesus é Senhor sem a ação do Espírito Santo.

Negamos que o Espírito Santo, depois da era apostólica, já deu, ou dê agora, nova revelação normativa à igreja.

Negamos que o nome de “avivamento” deva ser dado a qualquer movimento na igreja que não envolva um sentido aprofundado do julgamento e misericórdia de Deus em Cristo.


Artigo IV: A IGREJA E SUA MISSÃO

Afirmamos que a inspiração do Espírito Santo dá à Bíblia sua autoridade canônica, e o papel da igreja foi e é reconhecer e afirmar essa autoridade.

Afirmamos que Cristo, o Senhor, estabeleceu sua igreja na Terra e a governa por Sua Palavra e Espírito.

Afirmamos que a igreja é apostólica uma vez que recebe e é estabelecida sobre a doutrina dos apóstolos registrada nas Escrituras e continua a proclamar o evangelho apostólico.

Afirmamos que as marcas de identificação das igrejas locais são a confissão fiel e a proclamação da Palavra de Deus, e a administração responsável do batismo e da Ceia do Senhor.

Afirmamos que as igrejas estão sujeitas à Palavra de Cristo em sua ordem assim como em sua doutrina.

Afirmamos que, além de seu compromisso com uma local igreja, os cristãos podem se envolver adequadamente em organizações para-eclesiásticas para ministério especializado.

Afirmamos que Cristo chama a igreja para servi-lo por sua adoração, nutrição e testemunho como Seu povo no mundo.

Afirmamos que Cristo envia a igreja para o mundo inteiro para chamar a humanidade pecaminosa à fé, arrependimento e justiça.

Afirmamos que a unidade e a clareza das Escrituras nos encorajam a buscar resolver as diferenças doutrinárias entre os cristãos, e assim manifestar a unidade da igreja em Cristo.

Negamos que a igreja possa conceder autoridade canônica às Escrituras.

Negamos que a igreja seja constituída pela vontade e tradições dos homens.

Negamos que a igreja possa convencer a consciência à parte da Palavra de Deus.

Negamos que a igreja possa se libertar da autoridade da Palavra de Deus escrita e ainda exercer disciplina válida em nome de Cristo.

Negamos que a igreja possa acomodar-se às demandas de uma cultura particular se essas exigências entrarem em conflito com a revelação bíblica, ou se restringirem a liberdade da consciência cristã.

Negamos que diferentes situações culturais invalidam o princípio bíblico da igualdade entre homens e mulheres ou os requisitos bíblicos para seus papéis na igreja.


Artigo V: SANTIDADE DA VIDA HUMANA

Afirmamos que Deus, o Criador, é soberano sobre toda a vida humana e a humanidade é responsável, sob Deus, para preservá-la e protegê-la.

Afirmamos que a santidade da vida humana é baseada na criação da humanidade como imagem e semelhança de Deus.

Afirmamos que a vida de um ser humano começa na concepção (fertilização) e continua até a morte biológica; assim, o aborto (exceto quando a continuidade da gravidez ameaça iminentemente a vida física da mãe), infanticídio, suicídio e eutanásia são formas de assassinato.

Afirmamos que a visão penal da justiça social é compatível com a santidade da vida humana.

Afirmamos que reter alimentos ou água para causar ou apressar a morte é uma violação da santidade da vida.

Afirmamos que, como o avanço da tecnologia médica obscureceu a distinção entre a vida e a morte, é essencial avaliar cada caso terminal com o maior cuidado de modo a preservar a santidade da vida humana.

Negamos que a qualidade de vida humana tenha prioridade sobre sua santidade.

Negamos que a santidade da vida pré-natal negue a propriedade dos procedimentos médicos necessários para preservar a vida da mãe grávida.

Negamos que matar em legítima defesa, na pena capital administrada pelo Estado, ou em guerras justamente travadas, é necessariamente uma violação da santidade da vida humana.

Negamos que aqueles que rejeitam uma base divina para o direito moral estão isentos da obrigação ética e social de preservar e proteger a vida humana inocente.

Negamos que permitir a morte sem intervenção médica para prolongar a vida é sempre uma violação da santidade da vida humana.


Artigo VI: CASAMENTO E FAMÍLIA

Afirmamos que o propósito do casamento é glorificar o Deus e estender seu Reino na Terra em uma instituição que prevê castidade, companheirismo, procriação e educação cristã de crianças.

Afirmamos que, uma vez que o casamento é um pacto sagrado sob Deus unindo um homem e uma mulher como uma única carne, igreja e Estado devem exigir fidelidade à intenção de Deus de que seja um vínculo permanente.

Afirmamos que no padrão matrimonial ordenado por Deus, o marido como chefe é o servo-líder amoroso de sua esposa, e a esposa como ajudante na companhia submissa é uma parceira completa com seu marido.

Afirmamos que a educação amorosa e a disciplina das crianças é uma ordem de Deus dos pais; e Deus ordena que a obediência aos pais é um dever dos filhos.

Afirmamos que a igreja tem a responsabilidade de nutrir a família.

Afirmamos que a honra aos pais é um dever vitalício de todas as pessoas e inclui a responsabilidade pelo cuidado dos idosos.

Afirmamos que a família deve realizar muitos serviços agora comumente assumidos pelo Estado.

Negamos que o prazer e a autorrealização são a base do casamento e que as dificuldades são causas justas para quebrar o pacto matrimonial.

Negamos que o ideal bíblico do casamento possa ser cumprido por um casal que vive junto sem um pacto matrimonial legal ou por qualquer forma de coabitação entre pessoas do mesmo sexo ou grupo.

Negamos que o Estado tenha o direito de legitimar visões sobre o casamento e a unidade familiar que contrariam os padrões bíblicos.

Negamos que a mudança das condições sociais torne o casamento ordenado por Deus ou papéis familiares obsoletos ou irrelevantes.

Negamos que o Estado tenha o direito de usurpar a responsabilidade parental biblicamente designada.


Artigo VII: DIVÓRCIO E NOVO CASAMENTO

Afirmamos que o casamento de Adão e Eva como uma relação monogâmica ao longo da vida é o padrão para todos os casamentos dentro da raça humana.

Afirmamos que Deus une marido e mulher em matrimônio assumido e consumado, e responsabilizará moralmente os destruidores destas alianças.

Afirmamos que, uma vez que a essência do compromisso matrimonial é o compromisso ao longo da vida com o parceiro do pacto, a ação em relação a um colapso conjugal deve, pelo menos inicialmente, visar a reconciliação dos parceiros e a restauração do casamento.

Afirmamos que Deus odeia o divórcio, por mais motivado que seja.

Afirmamos que, embora Deus odeie o divórcio, em um mundo pecaminoso a separação às vezes é aconselhável e o divórcio às vezes é inevitável.

Afirmamos que Deus perdoa pecadores arrependidos, mesmo aqueles que pecaram por acabar seus casamentos.

Afirmamos que a igreja local tem a responsabilidade de disciplinar aqueles que violam os padrões bíblicos para o casamento, restaurar com compaixão aqueles que se arrependem, e fielmente ministrar a graça de Deus àquelas cujas vidas têm sido afetadas pela ruptura conjugal.

Negamos que exista qualquer contradição dentro das Escrituras sobre o divórcio e o casamento.

Negamos que é pecado separar ou viver separado de um cônjuge promíscuo ou abusivo.


Artigo VIII: DESVIOS SEXUAIS

Afirmamos que as Escrituras revelam os padrões de Deus para as relações sexuais, desvio dos quais é pecaminoso.

Afirmamos que a relação sexual é legítima apenas em uma relação de casamento heterossexual.

Afirmamos que a graça de Deus em Cristo pode levar homens e mulheres da escravidão à prática sexual desviada, sejam elas heterossexuais ou homossexuais, e a igreja deve assumir a responsabilidade de restaurar tais membros a uma vida que honre Deus.

Afirmamos que Deus ama homossexuais, bem como outros pecadores, e que as tentações homossexuais podem ser resistidas no poder de Cristo para a glória de Sua graça, assim como outras tentações também podem.

Afirmamos que os cristãos devem exercer compaixão, bondade e perdão ao ministrar a graça de Deus àqueles cujas vidas foram marcadas por desvios sexuais.

Afirmamos que a realização humana não depende de impulsos sexuais serem satisfeitos; hedonismo e filosofias relacionadas encorajando a sexualidade promíscua estão erradas e levam à ruína.